PRÁTICA JURÍDICA EM ESTÁGIO SUPERVISIONADO I - Seção 3
Sua causa!
Kassandra Valeriana, uma jovem empreendedora, procura seu escritório de advocacia
em estado de grande apreensão. Ela entrega a você um mandado de citação referente
a um "Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica" que foi instaurado
contra ela.
Ela explica que o incidente foi apresentado pela empresa "Fornecedora de Insumos
Brilhante Ltda." no curso de uma Ação de Execução de Título Extrajudicial que a
fornecedora move contra a empresa de Kassandra, a "Polímeros Inovadores SLU
Ltda.", uma sociedade limitada unipessoal da qual ela é a única sócia. A dívida original,
no valor de R$ 180.000,00, refere-se à compra de polímeros de alta performance,
formalizada por notas fiscais e um instrumento de confissão de dívida.
Lendo a petição do incidente, você observa que a Fornecedora Brilhante alega que,
após diversas tentativas frustradas de encontrar bens em nome da empresa
"Polímeros Inovadores" para satisfazer a dívida (pesquisas Bacenjud e Renajud
retornaram sem sucesso), ficou evidente que a empresa foi "esvaziada" e que não
honraria com seus compromissos.
O ponto central da petição da Fornecedora Brilhante é a alegação de que Kassandra
teria agido com abuso da personalidade jurídica, caracterizado por confusão
patrimonial. Para provar o alegado, a Fornecedora juntou ao processo extratos
bancários da conta da "Polímeros Inovadores" (obtidos por meio de quebra de sigilo
em outro processo que não envolve Kassandra) que demonstram duas situações
específicas:
• O pagamento de três parcelas consecutivas do contrato de arrendamento
mercantil de um veículo de luxo (Audi Q5), que está em nome de Kassandra
(pessoa física).
• O pagamento de duas taxas condominiais do apartamento onde Kassandra
reside, também debitado diretamente da conta da pessoa jurídica.
A Fornecedora argumenta que esses pagamentos de despesas estritamente pessoais
com recursos da empresa são a prova cabal de que não havia separação entre o
patrimônio da sócia e o da sociedade, justificando, assim, para que o véu da pessoa
jurídica seja levantado para que o patrimônio pessoal de Kassandra responda pela
dívida.
Kassandra, por sua vez, lhe apresenta sua versão dos fatos, amparada por e-mails e
pelos registros contábeis da empresa, feitos por um contador. Ela esclarece que:
• Os pagamentos do veículo e do condomínio foram, na verdade, uma forma de
pagamento de seu pró-labore. Em vez de a empresa transferir o valor total para
sua conta pessoal e ela realizar os pagamentos, ela autorizou o financeiro da
empresa a quitar tais boletos diretamente, como uma forma de adiantamento
ou pagamento de sua remuneração mensal. Tudo, segundo ela, foi devidamente
registrado na contabilidade da empresa como "retirada de pró-labore".
• A empresa "Polímeros Inovadores" não foi "esvaziada" de propósito. Foi
decretada sua falência, como resultado de uma crise inesperada no setor: seu
maior cliente, que representava 80% do faturamento, também decretou
falência subitamente, tornando a operação da "Polímeros Inovadores"
insustentável “da noite para o dia”. A insolvência, isto é, a falta de pagamento,
portanto, decorreu de um risco inerente ao negócio, e não de má-fé.
Kassandra está desesperada, pois teme perder seu apartamento e seu carro, os únicos
bens que possui. Ela lhe contrata para apresentar a defesa cabível, uma vez que o prazo
para resposta está correndo.
VAMOS PETICIONAR?
Em razão dos fatos narrados e na qualidade de advogado(a) de Kassandra Valeriana,
qual é a medida mais adequada para defender seus interesses?